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domingo, 22 de janeiro de 2017

É pra escrever sobre ser professor (Parte 1)

Ok, eu fiquei um tempo sem postar. Como eu disse que isso poderia acontecer, não preciso dar justificativas. E também é difícil postar quando não se tem boas ideias de textos.

Vamos lá...

Como os meus familiares e amigos (que são a maioria esmagadora de leitores desse blog) sabem, eu sou professor formado em Letras, o que significa que sou do tipo de professor que dá aula de várias matérias, e isso pode acontecer no mesmo dia: Português, Inglês, Literatura, Redação... Geralmente eu simplifico e digo que dou aula de linguagens, o que na maioria das vezes me faz ter o trabalho de explicar o que isso significa. Também trabalho em boas instituições de ensino com boas equipes e bons administradores, então esse não vai ser um texto pra falar de escola exatamente, porque de escola legal pra trabalhar eu tô muito bem servido.

Acontece que quando eu falo que sou professor a maioria das pessoas reage, mesmo que sem querer, com uma cara enorme de espanto misturada com pena (uma mistura disso 😲 com isso 😳). Pra adiantar a informação que será talvez explicada nos próximos parágrafos: essa cara não é muito legal. Ok? Mas aí algum leitor pode me perguntar: por quê? Simples! Professor é como qualquer outra profissão. Qualquer mesmo! Não existe nada de espantoso ou realmente difícil nisso. Nada que seja um bicho de sete cabeças ou uma tarefa digna de um titã mitológico. Mas...

... a tal vocação existe. Tem que ter gosto, tem que ter amor pelo que se faz, como em qualquer (eu disse qualquer) profissão. Muita gente reclama da sala de aula porque não é identificada com ela. Como isso de se identificar acontece? Sendo um aluno! Sim! Parece confuso (apesar de outros acharem clichê), mas pra não pirar num ambiente fechado com 30 ou 40 crianças é preciso ter a disposição de aprender com elas, de sair dali com mais conhecimento, assim como elas também sairão. E o que se aprende? Tudo! Eu já aprendi desde gírias adolescentes bem ruins (mas engraçadas) até algumas palavras em japonês (que eu esqueci). O importante é saber que ali existe uma troca. Você ensina presente do subjuntivo pro aluno e ele te ensina a passar na fase daquele jogo difícil, mesmo que você não jogue aquilo ou nem mesmo saiba que jogo é. Mas antes que alguém ache que esse é um discurso pedagógico motivacional chato sobre valorização do professor vitimizado, eu quero deixar claro que não é só isso. Se tem alguém que não curte esse discurso de político inaugurando escola, esse alguém sou eu mesmo.

O professor, além de aprender com os alunos, também precisa amar o que ensina. Se eu não amar sintaxe, se eu não ficar fascinado com colocação pronominal, se eu não curtir conjugar um verbo to be (tão odiado) e se eu não gostar de ler uma obra realista, tudo que eu ensinar vai ser só uma falação hipócrita de uma pessoa muito chata. O aluno sente quando você gosta do que ensina ou não. A empolgação é fundamental. Claro que não é todo dia que dá pra chegar em sala de aula vibrando numa explicação sobre Os Lusíadas, especialmente numa segunda de manhã cedo, mas a coisa deve ser apresentada pra que a curiosidade da turma seja despertada. Eles precisam não apenas saber, mas QUERER saber. Se isso não acontecer a aula vai parecer um texto chato da internet sobre o assunto sendo narrado.

Outra coisa, e por último nessa primeira parte sobre o assunto, é importante que o professor saiba o que se passa na cabeça dos alunos. Ele pode ter quase 22 anos como eu ou estar prestes a se aposentar, mas precisa conhecer o universo daquelas criaturas que fazem tudo de forma tão intensa ao ponto de parecer que a vida deles depende daquilo. Tem que saber sim o que é aquele negócio todo que eles tão falando. Qual é o livro que estão lendo? Qual é a série que estão vendo? Qual é o youtuber que estão curtindo? (se você estranhou essa última pergunta, mude-a para "O que é youtuber?" e não se assuste com a resposta). Professor sem assunto é chatão! Ninguém quer um cara que vai lá na frente só pra explicar matéria. Eles querem relacionar o assunto com o dia a dia deles, e o dia a dia deles não é a queda da bolsa e nem o aumento da gasolina (eles vão ter idade pra se preocupar com isso), é todo esse tipo de coisa que gente adulta acha sem graça, mas que eles dão muita importância e tratam como uma coisa bastante séria (e se tem alguém que ache sério, você precisa respeitar). Claro que não tô defendendo uma aula banal e cheia de palhaçada. Porque isso também é chatão e as crianças já estão cheias daquele professor tipo moderninho que parece que tomou um troço esquisito e ficou com onda antes de entrar em sala. Mas a aula precisa ser interessante e se aproximar da realidade daqueles meninos. Vai explicar a queda da bolsa? Usa como exemplo o número de likes daquele youtuber que deixou de ser popular naquela semana (sim, é rápido desse jeito! Igual a bolsa!). E por aí vai... Contextualizar é importante!

Enfim...

Na próxima postagem eu continuo falando (não sei o que) ainda sobre esse assunto... tem muita coisa!

Abraços pra vocês e desculpa não ter me lamentado reclamando das mesmas coisas de sempre. (é isso que vocês esperavam de um professor né? Vamos mudar essa mentalidade! 😉)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

É pra escrever sobre o ENEM

Ah, o ENEM! Desespero que une os mais variados tipos de adolescentes em um só sentimento de fracasso iminente ou vitória retumbante. 

Fiz o tal do exame duas vezes, uma no segundo ano do Ensino Médio, pra teste, outra no terceiro ano, pra valer. As duas foram particularmente horríveis entediantes cansativas.  

ENEM já é cheio de regras e, se você é candidato e vai fazer a prova, vão te dar milhares de recomendações antes e depois da dita cuja. De repente todo mundo fica chato especialista no exame e quer te orientar como se você fosse protagonista do novo Karate Kid ou aspirante a Jedi. As recomendações vão desde as mais sem sentido possíveis até as mais complexas e, consequentemente, não absorvidas por aquela criatura que, em alguns meses, se tiver sorte, deixará o seu mundo de musical de baixo orçamento do Disney Channel (vulgo colégio) pra entrar num mundo híbrido de Lost e Caverna do Dragão (vulgo universidade). 

Na hora da prova, então, uma série de impropérios acontecem com o único objetivo de te fazer se entregar. Se a vida fosse a TV aberta brasileira com sua incrível programação de qualidade pra toda a família, o candidato entraria na sala do ENEM achando que ia participar do Show do Milhão com o Silvio Santos, finalmente percebendo que na verdade estava na prova do líder do Big Brother dentro de um Kia compacto por 12hrs, sendo observado e com vontade de desistir (poesias chatas nível imagem de bom dia do WhatsApp declamadas pelo Pedro Bial inclusas). 

O desespero aumenta quando começa o piquenique. Nunca na história da civilização ocidental se sentiu tanta fome em tão pouco tempo. O cardápio é variado e vai desde barrinha de cereal até, acreditem, marmita (SIIIM, igual aquela que você leva pro seu trabalho com a sobra da janta de ontem!). É nesse momento que a concorrência é derrubada por quem abrir o maior pacote de Ruffles emitindo "cracs"por longos minutos. A poesia do Pedro Bial O barulho que as pessoas fazem é um plus no seu quesito de raiva alheia. Pior é quando o barulho vem de fora da escola (e eu não vou comentar sobre o churrasco com pagode ao vivo e uma piscina de 1000 litros com 20 crianças dentro acontecendo bem do lado da sala que eu fiz a prova em 2012). 

Quando assunto passa a ser o preenchimento da prova a coisa é quase como ativar algum tipo de dispositivo que abre um portal pra uma dimensão na qual o ENEM seria só uma atividade de recorte e cole de jornais e revistas. É nome pra escrever, é frase pra copiar... Sem falar no bendito cartão resposta com as suas bolinhas preenchidas completamente com caneta esferográfica preta fabricada em material transparente, e há sempre quem leve uma dúzia delas, caso as outras onze falhem, e o cara do camelô vendendo caneta na porta pelo preço de um Kit Kat

E o que falar da redação? Amada e venerada redação! Rainha dos pesadelos e conquistadora das enxaquecas! Querer descobrir o tema da bendita é o número um do livro 1000 coisas desesperadoras pra se viver antes de morrer, sem edição em língua portuguesa ou em qualquer outro idioma. A tensão é grande, e tem sempre aqueles que acreditam com toda a alma que o tema vai ser o novo código florestal, que já é velho. E depois de escrever tudo seguindo as regras que o professor do cursinho ensinou durante 8 meses, incluindo aquela sua frase favorita pra iniciar a conclusão que nunca tem nada a ver com o que você disse no texto, é só torcer pelo critério de avaliação mais duvidoso do mundo.  

No fim de tudo, vem a sua nota, que com certeza, eu disse COM CERTEZA, vai frustrar você. Pode ser uma nota boa? PODE! Mas é incrível como uma nota boa no ENEM nunca é o bom que a gente espera. Na verdade ela é ruim, mas se torna boa quando a gente descobre que todo mundo foi muito pior. 

Pois bem, o ENEM agradece por ser a única melhor opção pra entrar naquela federal que vai atrasar sua formatura declarando greve todo ano (eu tô falando com você, UFF!). 

Agora para de ler esse texto e vai estudar pro próximo ENEM!


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É pra escrever sobre o Horário de luz natural do Pacífico

O Blogger tá dizendo que tô postando num horário totalmente diferente do que eu postei.

Fui verificar e tá no Fuso-horário de luz natural do Pacífico.

Não sei nem mudar pro Horário de Brasília nem pro Horário de luz artificial do Pacífico.

É pra escrever sobre escrita acadêmica (Parte 2)

Sim. Enrolar. Eis a chave pra uma escrita acadêmica de primeira.

Depois do ocorrido na prova de Matrizes Clássicas eu percebi que todo mundo enrolava. Os meus colegas veteranos, os monitores, os mestrandos, os doutorandos, os professores e, principalmente, os teóricos que a gente lia como se fossem os titãs da boa escrita. Mas enrolar na hora de escrever não é fácil, exige técnica elaborada e criatividade de roteiro nível filme indiano de baixo orçamento. Tudo que é simples ou inventado tem que parecer profundo ou complexo. Toda ideia tem que parecer a resposta certa pra todo o questionamento teórico feito na história da existência humana

Com o tempo, fui adquirindo os principais métodos acadêmico-enrolativos, e o primeiro é esse mesmo, criar adjetivos compostos de duas palavras que soam importantes. Logo já saí usando teórico-metodológico, linguístico-comunicativo, textual-intercomunicativo, tortético-de-chocolativo, guaranático-com-pizzativo, enrolético-escritivo... Tudo soa culto e de bom gosto, e pra designar, é óbvio, coisas toscas. Um cara que te perturba quando conversa com você não é chato. Ele é parturbativo-chatiativo-dialético.

Outra coisa importante é mencionar algum teórico, alguma pessoa que, como você, também citou outra, o que faz com que na universidade ninguém tenha pensamento próprio. Todo mundo é papagaio de alguém. Ter ideias originais é coisa de gente ignorante. Tudo é questão de prestígio. E na academia você ganha o mesmo prestígio de um jogador de futebol problemático e bem pago se souber citar alguém. Duas citações de autores diferentes podem te garantir uma foto numa caixa de ceral. Três te fazem ter um patrocínio com a Nike. No quarto autor citado você recebe a proposta de ir jogar na Espanha. No quinto você se aposenta aos 32 anos e colocam seu nome na quadra superfaturada de uma comunidade carente. Citação é a melhor jogada!

Ah, é bom ressaltar a boa e velha problematização. Essa história de problematizar rende no mínimo um bônus extra de quatro páginas inteiras. Cinco se você fizer bastante citação. Não importa o quão ridículo seja o tema ou quão irrelevante seja sua conclusão final, encarne o pensador contemporâneo e queime dois ou três neurônios refletindo sobre esse grande nada. Presenteie o mundo com os seus notáveis pensamentos que com certeza vão ter o potencial de fazer diferença no modo de vida dos seus personagens do The Sims 4. Nos anos 90 problematizar seria o must.

Não quero desanimar ninguém que vai entrar pra universidade. Aliás, quanto mais você souber disso, menos vai sofrer. Se você é vestibulando, não se acanhe. Pegue a caneta. Sente numa cadeira. Reflita. Escreva um artigo sobre a coxinha que você comeu na segunda passada e sobre como ela tava murchativa-oleosativa naquela estufa da cantina do seu colégio. Faça uma tese sobre o travamento da sua Netflix aos 12min45seg do sexto episódio da nona temporada de Friends

Por último, faça uma relação louquíssima com aquela palestra que você "compareceu". Aquela mesma, que nem o palestrante queria estar, mas que todo mundo aplaudiu no final como se fosse mais um Oscar da Meryl Streep.

Seja acadêmico, Padawan!