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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

É pra escrever sobre o ENEM

Ah, o ENEM! Desespero que une os mais variados tipos de adolescentes em um só sentimento de fracasso iminente ou vitória retumbante. 

Fiz o tal do exame duas vezes, uma no segundo ano do Ensino Médio, pra teste, outra no terceiro ano, pra valer. As duas foram particularmente horríveis entediantes cansativas.  

ENEM já é cheio de regras e, se você é candidato e vai fazer a prova, vão te dar milhares de recomendações antes e depois da dita cuja. De repente todo mundo fica chato especialista no exame e quer te orientar como se você fosse protagonista do novo Karate Kid ou aspirante a Jedi. As recomendações vão desde as mais sem sentido possíveis até as mais complexas e, consequentemente, não absorvidas por aquela criatura que, em alguns meses, se tiver sorte, deixará o seu mundo de musical de baixo orçamento do Disney Channel (vulgo colégio) pra entrar num mundo híbrido de Lost e Caverna do Dragão (vulgo universidade). 

Na hora da prova, então, uma série de impropérios acontecem com o único objetivo de te fazer se entregar. Se a vida fosse a TV aberta brasileira com sua incrível programação de qualidade pra toda a família, o candidato entraria na sala do ENEM achando que ia participar do Show do Milhão com o Silvio Santos, finalmente percebendo que na verdade estava na prova do líder do Big Brother dentro de um Kia compacto por 12hrs, sendo observado e com vontade de desistir (poesias chatas nível imagem de bom dia do WhatsApp declamadas pelo Pedro Bial inclusas). 

O desespero aumenta quando começa o piquenique. Nunca na história da civilização ocidental se sentiu tanta fome em tão pouco tempo. O cardápio é variado e vai desde barrinha de cereal até, acreditem, marmita (SIIIM, igual aquela que você leva pro seu trabalho com a sobra da janta de ontem!). É nesse momento que a concorrência é derrubada por quem abrir o maior pacote de Ruffles emitindo "cracs"por longos minutos. A poesia do Pedro Bial O barulho que as pessoas fazem é um plus no seu quesito de raiva alheia. Pior é quando o barulho vem de fora da escola (e eu não vou comentar sobre o churrasco com pagode ao vivo e uma piscina de 1000 litros com 20 crianças dentro acontecendo bem do lado da sala que eu fiz a prova em 2012). 

Quando assunto passa a ser o preenchimento da prova a coisa é quase como ativar algum tipo de dispositivo que abre um portal pra uma dimensão na qual o ENEM seria só uma atividade de recorte e cole de jornais e revistas. É nome pra escrever, é frase pra copiar... Sem falar no bendito cartão resposta com as suas bolinhas preenchidas completamente com caneta esferográfica preta fabricada em material transparente, e há sempre quem leve uma dúzia delas, caso as outras onze falhem, e o cara do camelô vendendo caneta na porta pelo preço de um Kit Kat

E o que falar da redação? Amada e venerada redação! Rainha dos pesadelos e conquistadora das enxaquecas! Querer descobrir o tema da bendita é o número um do livro 1000 coisas desesperadoras pra se viver antes de morrer, sem edição em língua portuguesa ou em qualquer outro idioma. A tensão é grande, e tem sempre aqueles que acreditam com toda a alma que o tema vai ser o novo código florestal, que já é velho. E depois de escrever tudo seguindo as regras que o professor do cursinho ensinou durante 8 meses, incluindo aquela sua frase favorita pra iniciar a conclusão que nunca tem nada a ver com o que você disse no texto, é só torcer pelo critério de avaliação mais duvidoso do mundo.  

No fim de tudo, vem a sua nota, que com certeza, eu disse COM CERTEZA, vai frustrar você. Pode ser uma nota boa? PODE! Mas é incrível como uma nota boa no ENEM nunca é o bom que a gente espera. Na verdade ela é ruim, mas se torna boa quando a gente descobre que todo mundo foi muito pior. 

Pois bem, o ENEM agradece por ser a única melhor opção pra entrar naquela federal que vai atrasar sua formatura declarando greve todo ano (eu tô falando com você, UFF!). 

Agora para de ler esse texto e vai estudar pro próximo ENEM!


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

É pra escrever sobre o Horário de luz natural do Pacífico

O Blogger tá dizendo que tô postando num horário totalmente diferente do que eu postei.

Fui verificar e tá no Fuso-horário de luz natural do Pacífico.

Não sei nem mudar pro Horário de Brasília nem pro Horário de luz artificial do Pacífico.

É pra escrever sobre escrita acadêmica (Parte 2)

Sim. Enrolar. Eis a chave pra uma escrita acadêmica de primeira.

Depois do ocorrido na prova de Matrizes Clássicas eu percebi que todo mundo enrolava. Os meus colegas veteranos, os monitores, os mestrandos, os doutorandos, os professores e, principalmente, os teóricos que a gente lia como se fossem os titãs da boa escrita. Mas enrolar na hora de escrever não é fácil, exige técnica elaborada e criatividade de roteiro nível filme indiano de baixo orçamento. Tudo que é simples ou inventado tem que parecer profundo ou complexo. Toda ideia tem que parecer a resposta certa pra todo o questionamento teórico feito na história da existência humana

Com o tempo, fui adquirindo os principais métodos acadêmico-enrolativos, e o primeiro é esse mesmo, criar adjetivos compostos de duas palavras que soam importantes. Logo já saí usando teórico-metodológico, linguístico-comunicativo, textual-intercomunicativo, tortético-de-chocolativo, guaranático-com-pizzativo, enrolético-escritivo... Tudo soa culto e de bom gosto, e pra designar, é óbvio, coisas toscas. Um cara que te perturba quando conversa com você não é chato. Ele é parturbativo-chatiativo-dialético.

Outra coisa importante é mencionar algum teórico, alguma pessoa que, como você, também citou outra, o que faz com que na universidade ninguém tenha pensamento próprio. Todo mundo é papagaio de alguém. Ter ideias originais é coisa de gente ignorante. Tudo é questão de prestígio. E na academia você ganha o mesmo prestígio de um jogador de futebol problemático e bem pago se souber citar alguém. Duas citações de autores diferentes podem te garantir uma foto numa caixa de ceral. Três te fazem ter um patrocínio com a Nike. No quarto autor citado você recebe a proposta de ir jogar na Espanha. No quinto você se aposenta aos 32 anos e colocam seu nome na quadra superfaturada de uma comunidade carente. Citação é a melhor jogada!

Ah, é bom ressaltar a boa e velha problematização. Essa história de problematizar rende no mínimo um bônus extra de quatro páginas inteiras. Cinco se você fizer bastante citação. Não importa o quão ridículo seja o tema ou quão irrelevante seja sua conclusão final, encarne o pensador contemporâneo e queime dois ou três neurônios refletindo sobre esse grande nada. Presenteie o mundo com os seus notáveis pensamentos que com certeza vão ter o potencial de fazer diferença no modo de vida dos seus personagens do The Sims 4. Nos anos 90 problematizar seria o must.

Não quero desanimar ninguém que vai entrar pra universidade. Aliás, quanto mais você souber disso, menos vai sofrer. Se você é vestibulando, não se acanhe. Pegue a caneta. Sente numa cadeira. Reflita. Escreva um artigo sobre a coxinha que você comeu na segunda passada e sobre como ela tava murchativa-oleosativa naquela estufa da cantina do seu colégio. Faça uma tese sobre o travamento da sua Netflix aos 12min45seg do sexto episódio da nona temporada de Friends

Por último, faça uma relação louquíssima com aquela palestra que você "compareceu". Aquela mesma, que nem o palestrante queria estar, mas que todo mundo aplaudiu no final como se fosse mais um Oscar da Meryl Streep.

Seja acadêmico, Padawan!




segunda-feira, 31 de outubro de 2016

É pra escrever sobre escrita acadêmica (Parte 1)

Nada mais curioso que o jeito de escrever dentro da academia.

Calma, não tô falando de academia de ginástica. Tô falando sobre a academia do conhecimento, a universidade. E como cria de uma universidade federal eu sei bem o que é escrita acadêmica: escrever em seis páginas o que você pode escrever melhor em duas (isso mesmo, melhor!).

Não tem como negar. Você sai do Ensino Médio achando que a coisa mais complicada que você vai escrever na vida é a sua redação socialmente engajada do ENEM. Coitado! Chega na universidade e uma criatura te solicita o rascunho da próxima obra prima da ciência!

Lembro até hoje da minha primeira avaliação na UFF. Fui todo iludido pra aula de Matrizes Clássicas naquele dia achando que ia fazer uma prova estilo as que eu tava acostumado a fazer no colégio há apenas quatro meses atrás. Sento com toda a minha dedicação na cadeira, ponho o lápis, a borracha, a caneta e os textos pra consulta sobre a mesa (outra hora vou escrever sobre como prova consulta na universidade também é ilusão), espero a professora distribuir as folhas de prova e... "OI? Como assim? Duas questões?". Sim, duas questões, mas um sutil aviso no fim da página dizia: mínimo de duas páginas pra cada uma. "Mínimo? É o mínimo?". Contei as linhas e deu 70 no total pra cada questão. Gritos e agonias mentais tomaram conta da minha cabeça. Eu sabia escrever no máximo 30 linhas, com introdução, desenvolvimento e conclusão, com proposta de intervenção que respeitasse os direitos humanos... Mas escrever duas páginas sobre a comédia e a tragédia gregas em relação a Ilíada e a Odisseia? Não!

O problema tava armado. Quando finalmente comecei a escrever vi que tudo que eu tinha pra dizer cabia em meia página. Ponderei escrever uma receita de miojo, mas lembrei que não era mais o ENEM. Era a vida real da universidade e eu tava nela. E, além do mais, com o mínimo de páginas estipuladas eu teria que escrever não só uma receita de miojo, mas uma de lasanha congelada, outra de pizza Sadia e a fórmula da Coca-Cola, se quisesse chegar ao pretendido (não recebi de nenhuma das empresas pra por o nome dos produtos aqui. Infelizmente!).

Mediante muito esforço eu consegui, faltando cinco minutos, escrever quatro páginas inteiras pra responder as tais duas questões. Foi aí que eu aprendi a coisa mais importante da vida de um universitário: ENROLAR!

CONTINUA.

É pra escrever sobre criar um blog

Não sei se esse blog vai ter vida longa.

Feito esse aviso, e espantando potenciais leitores, quero dizer por que decidi escrever (rima não proposital).

Na verdade tentei várias vezes durante a adolescência fazer um blog (antes de ser youtuber, a moda era ser blogueiro, duas coisas tristes e que me arrancam riso), mas, como tudo feito por um adolescente, sempre saía estranho ou potencialmente fracassado. Agora que a potência adolescente digna de um filme original Disney Channel passou na minha vida (há alguns anos, eu acho), tô com cabeça (e técnica) pra escrever.

Aqui eu vou postar sobre tudo que eu achar interessante. Vai ser igual a parte de crônicas dO Globo só que de graça. Aliás, eu não sei se vai ser crônica. Não me culpem se eu não me enquadrar em gênero literário nenhum. É que seguir modelo é chato. Mas se eu escrever alguma coisa que possa ser considerada crônica (ou conto) eu aviso (Off.: agradecimentos registrados a minha noiva, que sonhou que eu era colunista de literatura dO Globo e, logo, um coroa que faz cooper de short azul-marinho e viseira na orla do Leblon!).

Outra coisa é que eu vou tentar não escrever sobre polêmicas (quem me conhece deve estar gargalhando agora e mandando mensagem no WhatsApp falando que eu não vou conseguir). Logo, não vou falar sobre política, a não ser que seja de uma maneira bem geral, ou sobre religiões que não sejam a minha (Já podem parar de rir, pessoas que me conhecem!).

Então fica combinado.

Ah, vou tentar atualizar o blog sempre, mas não prometo por que eu tenho o que fazer muitas tarefas no dia. Pra você ficar sabendo que eu postei coisa nova, é só assinar o feed (sei que é chato receber feed, então você mesmo assim vai assinar só assina se quiser!).

Valeu e até a próxima (se houver) postagem!